A tributação das empresas no Brasil passou por uma mudança relevante com a Lei Complementar 224/2025. A nova regra trouxe a chamada majoração do lucro presumido, que impacta diretamente empresas com faturamento anual mais elevado.
Embora o tema pareça técnico à primeira vista, seus efeitos são práticos: aumento de carga tributária, pressão sobre o caixa e necessidade de revisão de estratégias. Por isso, entender o que muda é essencial para evitar decisões equivocadas e preservar resultados.
O que é o lucro presumido e como ele funciona
O lucro presumido é um dos regimes tributários disponíveis para empresas no Brasil. Nele, o governo presume uma margem de lucro com base na atividade da empresa, e os impostos são calculados a partir dessa estimativa, e não do lucro real obtido.
Na prática, isso significa mais simplicidade no cálculo dos tributos, já que não é necessário apurar detalhadamente todas as receitas e despesas. Por esse motivo, o regime sempre foi bastante utilizado por empresas de médio porte, especialmente nos setores de serviços e comércio.
Antes da mudança, por exemplo, empresas prestadoras de serviços geralmente utilizavam uma base de presunção de 32% sobre a receita para cálculo do IRPJ e da CSLL. Essa previsibilidade facilitava o planejamento financeiro e tributário.
No entanto, essa lógica começa a mudar com a nova legislação, que altera justamente essa base de cálculo em determinadas situações.
O que mudou com a majoração do lucro presumido
A Lei Complementar 224/2025 introduziu uma majoração de 10% nos percentuais de presunção aplicados ao lucro presumido, mas apenas sobre a parcela da receita que ultrapassar R$ 5 milhões anuais.
Na prática, isso significa que empresas que faturam acima desse limite passam a ter uma base de cálculo maior para o IRPJ e a CSLL. Exemplo para entender:
- Antes: base de presunção de 32%
- Depois: base de presunção passa para 35,2% sobre o excedente
Esse aumento, embora pareça pequeno à primeira vista, gera impacto direto no valor de imposto a pagar.
Outro ponto importante é que a mudança não afeta toda a receita da empresa, mas apenas o valor que ultrapassa o limite estabelecido. Ainda assim, para empresas em crescimento ou já consolidadas, o efeito pode ser significativo ao longo do tempo.
Com isso, o lucro presumido passa a ser menos vantajoso em alguns casos, exigindo uma análise mais cuidadosa antes de manter ou escolher esse regime.
Quem é impactado pela nova regra
A majoração não atinge todas as empresas, mas sim aquelas que faturam acima de R$ 5 milhões por ano e optam pelo lucro presumido.
Esse grupo inclui, principalmente:
- Empresas de serviços;
- Negócios com margens elevadas;
- Empresas em fase de expansão.
Para essas organizações, o aumento da base de cálculo pode reduzir a rentabilidade, especialmente quando não há ajustes paralelos na estrutura de custos ou na estratégia tributária.
Empresas menores, que faturam abaixo desse limite, não sofrem impacto direto da mudança. No entanto, aquelas que estão próximas desse patamar precisam redobrar a atenção, já que podem ser afetadas à medida que crescem.
Além disso, empresas que já operam com margens mais apertadas podem sentir o efeito de forma ainda mais intensa, pois o aumento de imposto reduz diretamente o resultado final.
Impactos no planejamento financeiro das empresas
Com a majoração, o planejamento financeiro passa a exigir mais atenção. O aumento da carga tributária pode afetar diferentes áreas do negócio, como fluxo de caixa, precificação e capacidade de investimento.
Um dos principais efeitos é a redução da previsibilidade. Empresas que antes contavam com um regime mais estável agora precisam revisar projeções e simulações para entender o impacto real da mudança.
Além disso, o aumento de impostos pode levar a decisões difíceis, como:
- Reajuste de preços;
- Redução de custos;
- Revisão de investimentos.
Outro ponto relevante é que a mudança ocorre em um contexto mais amplo de transformações no sistema tributário brasileiro. Isso torna o cenário ainda mais desafiador, já que decisões tomadas hoje podem precisar ser revistas no futuro.
Diante disso, o planejamento deixa de ser apenas uma ferramenta de organização e passa a ser um elemento estratégico para manter a competitividade.
Existe alternativa? Como as empresas podem se preparar
Diante desse novo cenário, as empresas não precisam necessariamente aceitar o aumento de forma passiva. Existem caminhos para reduzir impactos e tomar decisões mais estratégicas.
O primeiro passo é analisar se o lucro presumido ainda é o regime mais adequado. Em alguns casos, a migração para o lucro real pode ser uma alternativa, dependendo da estrutura de custos e da margem de lucro da empresa.
Outra possibilidade é revisar a organização das operações, buscando maior eficiência tributária dentro dos limites legais. Isso pode incluir ajustes societários, revisão de atividades e melhor aproveitamento de créditos e deduções.
Além disso, a antecipação é um fator decisivo. Empresas que se planejam com antecedência conseguem avaliar cenários, simular impactos e implementar mudanças de forma gradual, evitando decisões precipitadas.
Por fim, contar com uma análise especializada pode fazer diferença, já que cada empresa possui características próprias que influenciam diretamente na melhor estratégia.
Conclusão: por que entender essa mudança é essencial
A majoração do lucro presumido representa mais do que um ajuste técnico, ela altera a lógica de um dos regimes tributários mais utilizados no país.
Embora o impacto varie de empresa para empresa, o ponto central é que a mudança exige atenção e planejamento. Ignorar seus efeitos pode resultar em aumento de custos e perda de competitividade.
Por outro lado, empresas que entendem o cenário e se antecipam conseguem transformar o desafio em oportunidade, ajustando sua estratégia e protegendo seus resultados.
Em um ambiente tributário cada vez mais dinâmico, informação e planejamento deixam de ser diferenciais e passam a ser requisitos básicos para a sustentabilidade do negócio.



