Como o PERSE pode impactar as empresas financeiramente

O Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE) foi criado para ajudar empresas que sofreram grandes perdas durante a pandemia. O setor de eventos, turismo, alimentação e entretenimento foi um dos mais afetados pelas restrições sanitárias, o que levou o governo federal a implementar medidas fiscais para estimular a recuperação econômica dessas atividades.

Entre essas medidas, a principal foi a redução temporária de tributos federais. Apesar disso, muitas empresas ainda têm dúvidas sobre como o programa funciona e qual é o impacto real dele nas finanças do negócio. Entender esse impacto é essencial para avaliar oportunidades de economia, recuperação de valores e planejamento financeiro de médio prazo.

O que é o PERSE e por que ele foi criado

O PERSE foi instituído pela Lei nº 14.148/2021 como uma resposta à paralisação quase total das atividades ligadas a eventos e turismo durante a pandemia. Empresas desses setores tiveram quedas abruptas de faturamento, mas continuaram com custos fixos, como folha de pagamento, aluguel e fornecedores.

Para evitar falências em massa e preservar empregos, o governo criou um conjunto de medidas fiscais e financeiras. O objetivo foi permitir que essas empresas tivessem mais fôlego para retomar suas atividades gradualmente, à medida que as restrições sanitárias eram suspensas.

O programa passou a contemplar diversos tipos de negócios, como hotéis, bares, restaurantes, casas de eventos, produtores culturais, agências de turismo e empresas de organização de feiras e congressos. A inclusão foi baseada nos códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE), que determinam quais empresas podem participar. 

Quais são os principais benefícios financeiros do PERSE

O principal benefício do PERSE foi a redução a zero das alíquotas de tributos federais importantes para o fluxo de caixa das empresas. Entre eles estão:

  • Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);
  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
  • PIS/Pasep;
  • Cofins.

Essa redução foi prevista inicialmente por até 60 meses, contados a partir de março de 2022, o que significa um período potencial de cinco anos de alívio tributário para empresas elegíveis. 

Na prática, isso representa uma diminuição significativa da carga tributária, principalmente para empresas que operam com margens apertadas. Com menos tributos a pagar, o caixa disponível aumenta, permitindo investir em reestruturação, contratação de funcionários e expansão das atividades.

Como a redução de tributos impacta diretamente o caixa das empresas

A redução de tributos tem um impacto imediato e mensurável no fluxo de caixa. Em vez de destinar parte da receita para pagamento de impostos, a empresa pode manter esse valor dentro da operação. Esse recurso adicional pode ser utilizado para quitar dívidas acumuladas durante a pandemia, investir em marketing, modernizar processos ou reforçar o capital de giro.

Por exemplo, uma empresa que pagava mensalmente tributos sobre o faturamento e sobre o lucro passou a ter esses valores temporariamente reduzidos a zero, o que representa uma economia recorrente ao longo de vários meses. Em setores com grande volume de receitas, essa economia pode atingir cifras elevadas ao longo do tempo.

Esse efeito financeiro é especialmente relevante em negócios que enfrentaram longos períodos de faturamento reduzido e que ainda estavam em processo de recuperação. Ao aliviar a pressão tributária, o PERSE ajudou a evitar novos endividamentos e a acelerar a retomada das operações.

Quem pode se beneficiar do PERSE e quais são os requisitos

Nem todas as empresas podem utilizar o PERSE. 

Para ter direito aos benefícios, é necessário que a atividade principal ou preponderante esteja entre os CNAEs previstos na legislação. Além disso, a empresa precisa ter exercido essas atividades em uma data específica definida pela lei, o que impede que negócios sejam criados posteriormente apenas para acessar o benefício.

Outro ponto importante é o regime tributário. Empresas enquadradas no Simples Nacional, por exemplo, não foram contempladas com a redução de alíquotas da mesma forma que aquelas no lucro real ou presumido. Esse fator limita o alcance do programa, mas ainda assim ele cobre uma parcela relevante das empresas do setor.

Também é necessário solicitar habilitação junto à Receita Federal, que analisa a documentação e verifica se os critérios legais foram atendidos antes de permitir a utilização dos benefícios fiscais.

Por que muitas empresas não utilizaram o benefício na prática

Apesar da relevância financeira do PERSE, nem todas as empresas elegíveis utilizaram o programa. Um dos principais motivos foi a complexidade das regras e das exigências administrativas. A necessidade de habilitação formal, a definição de CNAEs específicos e as mudanças na legislação ao longo do tempo geraram insegurança para muitos gestores.

Além disso, o benefício se aplica apenas às receitas diretamente relacionadas às atividades enquadradas no programa. Isso exige uma separação contábil clara entre receitas beneficiadas e receitas não beneficiadas, o que pode ser difícil para empresas com operações diversificadas.

Essa combinação de fatores levou muitas empresas a optar por continuar pagando tributos normalmente, mesmo tendo potencial direito à redução de alíquotas. Essa decisão foi, em grande parte, uma forma de evitar riscos de autuação ou questionamentos futuros por parte do fisco.

A possibilidade de recuperar valores pagos indevidamente

Empresas que não utilizaram o PERSE no momento em que poderiam ter direito ainda podem avaliar a possibilidade de recuperar valores pagos. Isso acontece porque a legislação permite que a empresa revise períodos anteriores, desde que comprove que atendia aos requisitos legais e que estava devidamente habilitada ou poderia ter sido habilitada.

Esse processo pode ser feito por meio de pedidos administrativos de compensação ou restituição. Na prática, a empresa identifica os tributos pagos, calcula o valor que poderia ter sido reduzido a zero e solicita a compensação com débitos futuros ou a devolução dos valores.

A possibilidade de recuperação financeira transforma o PERSE não apenas em um benefício presente, mas também em uma oportunidade retroativa de melhora no caixa, desde que a empresa consiga comprovar seu enquadramento no período analisado.

Como o PERSE influencia o planejamento financeiro das empresas

Além do impacto imediato na redução de custos, o PERSE também afeta o planejamento financeiro e estratégico das empresas. Ao saber que haverá um período de menor carga tributária, os gestores podem projetar investimentos com maior previsibilidade e assumir compromissos financeiros com menos risco.

Esse tipo de incentivo fiscal também pode influenciar decisões sobre expansão, contratação e renegociação de dívidas. Em alguns casos, empresas que estavam em situação financeira delicada conseguiram reequilibrar suas contas justamente por conta da economia tributária gerada pelo programa.

Por outro lado, como o benefício é temporário, é necessário que as empresas planejem o período posterior ao término das reduções, quando a carga tributária volta ao patamar normal. Esse planejamento evita surpresas e garante que a empresa não dependa permanentemente de um benefício que foi concebido como emergencial.

Conclusão

O PERSE representa uma das principais políticas de estímulo econômico voltadas ao setor de eventos e turismo nos últimos anos. Ao reduzir temporariamente tributos federais, o programa gerou impacto direto no caixa das empresas, permitindo recuperação financeira em um momento de crise.

Mesmo com esse potencial, muitas empresas ainda desconhecem o alcance do benefício ou não sabem se poderiam ter se enquadrado. Avaliar a elegibilidade, entender os requisitos e analisar a possibilidade de recuperação de valores pagos são etapas importantes para aproveitar plenamente o que a legislação oferece.

Mais do que um benefício fiscal, o PERSE pode ser visto como um instrumento de reorganização financeira e de fortalecimento das empresas após um período de grande instabilidade econômica.

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MSL | Advocacia de Negócios
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